Quando fui á Cuba apresentar um trabalho em um Congresso sobre Educação, duas coisas me chamaram a atenção: a beleza da ilha e a intelectualidade do povo. Ontem, estava rolando canais na TV e escutei uma entrevista ao vivo da blogueira de Cuba, Yoni Sanches, que ficou famosa por postar suas agruras para o mundo, sem medo das retaliações que sofreria, e de fato sofreu. Aconteceu é claro, tudo o que todos queriam. Virou notícia mundial, e logicamente que o Barack não poderia se omitir de receber a moça para discutir política internacional, e revelar seu maior sonho: fazer as pazes com os Castro. Bom, todos sabemos que o mundo gira em torno do tal conceito de "auto-regulação" das coisas. Que a célula forte regula a frágil para produzir, gerar, ganhar e lucrar para ela. Isto é mais ou menos parecido com a Lei de Darwin para a economia neoliberal, que gerou a globalização do livre comércio (ou vice-versa). Os mais ricos dominam os mais pobres. E nexte contexto, a educação ao longo dos anos tem contribuido muito para isto, para que os mais ignorantes continuem ignorantes e sejam facilmente domesticados pelos intelectualmente favorecidos ou mais espertos. Um exemplo: vamos combinar que receber o Presidente homofóbico que está testando ARMAS nucleares para fins PACÍFICOS não é um ato muito inteligente!! Mas voltemos a Cuba. Quando estava lá, perguntei a Isabel, minha xará, arrumadeira do nosso quarto, se podia conversar com ela sobre o regime socialista, quem sabe até visitar a casa dela e tal, e ela prontamente falou: olha, vamos conversar sim, até porque ninguém até hoje me perguntou nada sobre o que eu penso sobre tudo isto. Ela tinha na época, 2001, 46 anos, 4 filhos, o marido era taxista. Ela, graduada em Turismo e o marido em Economia. Tinha um filho na vila olímpica treinando Box, os outros 3 na escola e todos muito perspicazes, segundo ela. A minha primeira (e última) pergunta foi: Isabel, você se sente presa aqui em Havana? E ela me respondeu, olhando dentro dos meus olhos: E você Izabel? Se sente livre? O que é a liberdade para você? E continuou:
"Eu não posso ir para os Estados Unidos, mas quantas pessoas não podem, não porque não são livres, mas porque não tem dinheiro para ir e quando vão, não sabem nada sobre a história do país que visitam, não sabem nem o nome do Presidente, não conhecem um museu, não conhecem as pessoas, não conhecem nada de importante sobre o que deveriam conhecer para se conhecerem também. Eu gostaria muito de ir para o Rio de Janeiro, tenho uma prima que foi para lá, mas sei que ela perdeu um filho porque ele começou a usar drogas, e parece que o marido não arranjou emprego. Eles estão morando em um barraco de lona, eu não sei como é isso, não consigo imaginar. Izabel, imagine se você ficasse um mês morando em uma casa de luxo, com muito dinheiro para gastar com quisesse, comendo todas as coisas que tivesse vontade, se sua família estivesse com você o tempo todo, você iria gostar? Agora imagine conhecer isto, saber que isto tudo pode ser seu e um dia alguém vem e tira tudo de você e diz: a casa é uma guarnição, o carro é um meio de transporte, a comida é para dar saúde e o trabalho é fundamental para você educar a sua família na dignidade, no respeito. O que você faria?"
Eu entendi aquele desabafo e não consegui falar mais nada. Estava claro que ela concordava e discordava de muitas coisas no regime. Depois de algum tempo fiz um correlação das nossas conversas com a Teoria de Caverna. Nenhuma ditadura é concebível. Ninguém pode impedir o outro de enxergar além das sombras. Mas a pior de todas as ditaduras, sob a perspectiva da Isabel, é a mascarada, e foi isto que nas entre linhas, ela me disse. E é esta que nós vivemos. Depois de mais duas conversas com ela mudei muitas coisas sobre a forma de pensar, logo agir. Mas o melhor foi em uma das noites, escutando o ministro da Educação, no Teatro Karl Marx, falar que em Cuba todos são livres, de pensamento. E ele não mentiu. Exemplo disto: Yoni Sanches.
"Eu não posso ir para os Estados Unidos, mas quantas pessoas não podem, não porque não são livres, mas porque não tem dinheiro para ir e quando vão, não sabem nada sobre a história do país que visitam, não sabem nem o nome do Presidente, não conhecem um museu, não conhecem as pessoas, não conhecem nada de importante sobre o que deveriam conhecer para se conhecerem também. Eu gostaria muito de ir para o Rio de Janeiro, tenho uma prima que foi para lá, mas sei que ela perdeu um filho porque ele começou a usar drogas, e parece que o marido não arranjou emprego. Eles estão morando em um barraco de lona, eu não sei como é isso, não consigo imaginar. Izabel, imagine se você ficasse um mês morando em uma casa de luxo, com muito dinheiro para gastar com quisesse, comendo todas as coisas que tivesse vontade, se sua família estivesse com você o tempo todo, você iria gostar? Agora imagine conhecer isto, saber que isto tudo pode ser seu e um dia alguém vem e tira tudo de você e diz: a casa é uma guarnição, o carro é um meio de transporte, a comida é para dar saúde e o trabalho é fundamental para você educar a sua família na dignidade, no respeito. O que você faria?"
Eu entendi aquele desabafo e não consegui falar mais nada. Estava claro que ela concordava e discordava de muitas coisas no regime. Depois de algum tempo fiz um correlação das nossas conversas com a Teoria de Caverna. Nenhuma ditadura é concebível. Ninguém pode impedir o outro de enxergar além das sombras. Mas a pior de todas as ditaduras, sob a perspectiva da Isabel, é a mascarada, e foi isto que nas entre linhas, ela me disse. E é esta que nós vivemos. Depois de mais duas conversas com ela mudei muitas coisas sobre a forma de pensar, logo agir. Mas o melhor foi em uma das noites, escutando o ministro da Educação, no Teatro Karl Marx, falar que em Cuba todos são livres, de pensamento. E ele não mentiu. Exemplo disto: Yoni Sanches.
Nós também não somos livres, posso dar inúmeros exemplos: o analfabetismo no Brasil hoje faz com que 10% da população não consiga viver em sociedade, estão presos em outro mundo; a miséria que assola milhões de brasileiros, é só olhar para o lado e ver, gente que não tem o que comer em uma país como o Brasil, é INACREDITÁVEL, estão presos na falta do que fazer para se manter; a educação falida, que gera o ANALFABETO FUNCIONAL, porque pior do que aquele que não sabe é aquele que "acha" que sabe alguma coisa, os alunos sabem ler e escrever mas não sabem pensar e refletir sobre o que leram, é comum nós ouvirmos do aluno: li, li, e não entendi nada, estão presos em uma dimensão cognitiva inferior; o assédio moral, que impede que o empregado se manifeste livremente e trabalhe em paz, prendem ele em um universo de tirania desumana e ainda chamam ele de colaborador; e o que falar da exclusão das minorias, das contra-culturas que fazem parte da tão discutida biodiversidade?; o caos nos três poderes, o legislativo que não faz e não regula leis de maneira sensata, o executivo não executa se não for subornado e o judiciário julga com lentidão e, quando julga e condena, solta pelas brechas da lei do legislativo!! Estamos presos sim, e não podemos recorrer a ninguém, e pior, não temos um povo educado para pensar. Como diz a letra da música do Geraldo Vandré: "Na boidada já fui boi, mas um dia me montei...", temos que deixar de ser bois, aprender a montar e eleger gente competente que ao menos saiba segurar uma rédea, porque o que temos visto são políticos de buçal e cabresto.
Para sermos livres, é preciso acreditarmos que o carro é um meio de transporte, que o celular é um meio de comunicação, que o dinheiro é bom sim, que o capitalismo é bom sim. Mas que o acúmulo de dinheiro e o sistema de vida que ele pode comprar podem fazer de qualquer pessoa um ditador e, desta forma, esta pessoa pode tirar a liberdade de várias outras. E sem que elas percebem (porque são os bois da música do Geraldo Vandré), viram presos de suas próprias vidas livres.
Para sermos livres, é preciso acreditarmos que o carro é um meio de transporte, que o celular é um meio de comunicação, que o dinheiro é bom sim, que o capitalismo é bom sim. Mas que o acúmulo de dinheiro e o sistema de vida que ele pode comprar podem fazer de qualquer pessoa um ditador e, desta forma, esta pessoa pode tirar a liberdade de várias outras. E sem que elas percebem (porque são os bois da música do Geraldo Vandré), viram presos de suas próprias vidas livres.
O blog da Yoni é muito interessante, tem muitos comentários sobre os posts que ela faz, mas tomara que ele não seja utilizado (de forma utilitária) como mais uma arma de auto-regulação a favor do neocapitalismo, porque se usado contra a tirania de um governo é uma coisa, mas pró E.U.A. é outra coisa.
Quando comecei a escrever aqui a primeira coisa que me falaram foi: cuidado, você pode escrever coisas que muitas pessoas não vão gostar de ler. Que liberdade é essa?
O fato é que a verdade sempre foi sinônimo de crime, no Brasil e no mundo.
Por que será que Sócrates teve que tomar sicuta e cometer suícidio? Porque foi acusado de buscar a verdade dos fatos. A verdade é antecessora da liberdade.
Por que será que Sócrates teve que tomar sicuta e cometer suícidio? Porque foi acusado de buscar a verdade dos fatos. A verdade é antecessora da liberdade.
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