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25 de novembro de 2009

Hoje vou falar do meu paiê.


Meu pai. Percebam o apelido: João Louco, ou Crazy John, mais rebuscado pelos meus amigos. Um sujeito com uma história muito interessante. Tenho muito orgulho dele por ter muitos valores perdidos que já não encontramos há muito tempo nas pessoas: honestidade, gratidão, humildade e um incrível senso de proteção com todo mundo. Vou contar uma das passagens dele.
Há poucos meses, um conhecido sujeito que vive nas ruas lá em Palmas, que bebe, dorme na rua, as vezes vai preso ou internado, pede esmolas e vive da caridade dos outros, que foi aluno da minha mãe há uns 30 anos, entrou de fininho pela porta dos fundos da nossa casa. Minha mãe estava sozinha em casa, e o vizinho viu quando ele entrou, quando meu pai chegou em casa ele logo tratou de avisar. Meu pai entrou logo, e se deparou com o sujeito na cozinha, espiando na sala de TV, enquanto minha estava distraída na sala de jantar. Meu pai não exitou. Deu logo uns murros no sujeito e tirou-o aos pontapés de dentro da casa. Minha mãe foi ver o que estava acontecendo e ficou com dó do sujeito, que disse que estava ali para pedir dinheiro para comprar "a mardita". Meu pai, tirou "5 pilá" do bolso e foi rolando o pobre escada abaixo. Fechou o portãozinho da frente e entrou para tomar café. Depois, deitou um pouco no sofá preferido, leu umas páginas de jornal, levantou, fez umas ligações e falou para minha mãe: "Muié, vou dar uma saída". Bem ao estilo João Louco (quem conhece ele deve ter rido). E se foi. Depois de umas 2 horas voltou mais tranquilo, contando o seguinte para a "muié":

"Muié, encontrei o Nego, tava no bar do Eloi. Deusolivre, cheguei lá e disse pra ele: homem do céu, quase que te mato, não faça mais isso, como que você foi mexer com a Muié? dá próxima vez me peça dinheiro que eu te dou. Deusolivre, você é nosso amigo, amigo da menina (no caso eu), a Muié te quer bem. Dai ele me abraçou. Com a cara toda machucada. Coitado. Mas levou um susto, acho que nunca mais entra na casa de ninguem. Daí dei deizão para ele. Mas ficou feliz que nossa. Jogamos duas partidinha de sinuca, tomamos duas e tudo certo. Agora vou deitar mais um pouco".

E a mãe me contando depois, me dizendo que ele sempre foi assim, não consegue guardar mágoa de ninguém, foi lá e ainda aconselhou o sujeito. Se fosse outra pessoa, sabe lá o que ia ter feito.

Bom, e sem contar que ele tem um senso de humor impressionante. E uma paciência de Jó, porque para aguentar a Dona Eloyna, intelectual, que sempre tem razão e sempre foi assediada por todas e todos não é para todo mundo.

Ainda bem que tenho este pai, não ia gostar se tivesse outro.
Depois que entendi que a figura sacra de pai e mãe não existem, passei a conviver bem melhor com eles.
Ainda bem!!

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